FREDERICO ROCHAFERREIRA
www.sitefilosofico.com
Membro da Oxford Philosophical Society






Joaquim Barbosa - Foto: Commons Wikimedia
Attribution: Supremo Tribunal Federal

Joaquim Barbosa

"Quando uma pessoa sensível chega pela primeira vez ao Brasil, a primeira coisa que nota é a ausência de negros em trabalhos de prestígio, de boa posição em empresas, nas TVs. Valha-me Deus!, a TV brasileira parece ser da Dinamarca''.







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lhe chamar... 






Por Frederico Rochaferreira


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questão da discriminação racial no Brasil não é ainda uma discussão séria, a bom nível. Por um lado falta conhecimento e discernimento, ignorância mesmo, quando muitas vezes se pretende ver racismo em ofensa ou injúria pessoal, atrito comum entre brancos, negros, amarelos, índios ou entre ambos e por outro lado, pela conveniência e cinismo de uma sociedade hipócrita, aquela que finge sentir um sentimento que verdadeiramente não possui, o que é visível quando se trata, por exemplo da ocupação de cargos, de modo geral e na mídia em particular e no trato pessoal, incluindo as ações e abordagens policiais, muitas vezes conduzidas por também negros. Assim, quando um negro alcança por seus esforços um lugar de honra no seio da sociedade a que pertence, o que diz dever ser ouvido com atenção e mais, longamente refletido.

Joaquim Barbosa pela dedicação ao estudo e pela posição que alcançou deve ser considerado no Brasil o grande expoente da raça negra, exemplo que por si só, dispensa discursos escritos e falados. Mas é importante que quando o discurso lhe chamar, não se furte em cimentar um pouco mais o caminho da experiência prática e teórica, ética e moral, por que entende, devam definitivamente negros e brancos caminhar. E Joaquim assim o faz. Em palestra no Kings College, de Londres, falou sobre as mudanças necessárias para o sistema jurídico do Brasil, falou também dos desafios que o Brasil enfrenta assim como tantas outras nações, com a discriminação racial, a precariedade no sistema educacional e o câncer da corrupção na política. Salientou ainda que a discriminação racial e o racismo são as questões mais sérias a serem discutidas no Brasil e que enfrentar o problema é condição fundamental: 

''É preciso fazer algo para incluir os negros na corrente principal da sociedade", disse Barbosa, frisando que; "o Brasil nunca tratou com seriedade essa questão, a única medida séria nos últimos 10 anos foram as cotas, mas elas não resolvem o problema, mesmo esta estando centrada na educação". __ ''A grande maioria dos brasileiros que sofrem as consequências de uma educação paupérrima é a de negros, que vivem nas favelas, que têm os piores trabalhos e os piores salários". A indignação de Barbosa se deve à negligência dos homens públicos, já que " todos os indicadores mostram que esse é um dos problemas-chave na política brasileira''. 

Na terra da Rainha, Joaquim Barbosa reflete a indignação do homem probo:

 "Quando uma pessoa sensível chega pela primeira vez ao Brasil, a primeira coisa que nota é a ausência de negros em trabalhos de prestígio, de boa posição em empresas, nas TVs. Valha-me Deus!, a TV brasileira parece ser da Dinamarca''. 

O que podemos esperar de Barbosa? Que com o prestígio e saber que adquiriu, se engaje politicamente para tornar suas aspirações e a de muitos milhares, uma esperança de realidade, que faça o academicismo ser mais prático e menos acadêmico, assim estará de fato lutando para transformar a  realidade que apresenta nos discursos, se assim não for, resta o exemplo e esperar que germine, todavia, a mais poderosa arma no combate à discriminação racial e à desigualdade social, é a ênfase no ensino e na educação de brancos e negros, tudo o mais é esforço de retórica.












Malcom X

"Boa educação, habitação e emprego são imperativos para os negros e eu vou apoiá-los em sua luta para conquistar esses objetivos, mas enquanto esses objetivos forem imperativos, o principal problema dos negros não poderá ser resolvido"