FREDERICO ROCHAFERREIRA
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Membro da Oxford Philosophical Society







Talento & Mérito


Por Frederico Rochaferreira




O

autodidata não se furta ao estudo acadêmico, mas o tem como ferramenta polidora de arestas à sua imaginação. Há desde os tempos mais remotos uma estreita relação entre alguns homens...


Os valores que herdamos pela hereditariedade tais como as características, são valores prontos, portanto, mais sábios, mais belos, mais úteis e mais perigosos quando de suas realizações. Aos homens dotados dessa qualidade, dizemos que está à frente de seu tempo, suas ações se distanciam de todas as outras que dependem e se utilizam do saber adquirido seja por hábito ou por ensino, e os mais benéficos como os mais trágicos registros da história, devemos à atuação desses herdeiros genéticos. Tudo aquilo que por inteligência nata realizaram para o bem, para o belo, para o útil ou para a tragédia dos homens, permanece no imaginário de muitos milhares, que se debruçam a interpretá-los, a ensiná-los, a segui-los, a utilizar e a deleitar-se das inúmeras invenções técnicas, científicas e artísticas ou a lamentar sua existência. Há desde os tempos mais remotos uma estreita relação entre alguns homens...

Na religião: Judas, o sofista galileu que plantou a semente do que viria a ser o Cristianismo, Jacob, que difundiu suas ideias entre os judeus e Saul que as divulgou entre gregos e romanos. Na filosofia: Pitágoras, Sócrates, Platão, Descartes, Spinoza, Rosseau... Na ciência: Albert Einstein, Michael Faraday... Na aviação: Orville Wright e Wilbur Wright… Na arquitetura: Le Corbusier, Frank Lloyd, Tadao Ando… No cinema: Steven Spielberg, Walt Disney… Na música: Richard Wagner, Korsakov e Mozart... Nas letras: Jakob Böhme, Goethe, Bernard Shaw, José Saramago... Na política: Abraham Lincoln, Adolf Hitler… Na arqueologia: Heinrich Schliemann... No campo das invenções: Nikola Tesla, Benjamin Franklin, Graham Bell, Henry Ford, Leonardo da Vinci... Na arte: Michelagelo, Picasso... Na tecnologia: Sean Parker (facebook), Bill Gates (Microsoft), Steve Jobs (Apple)… No xadrez: Magnus Carlsen, Kasparov… E tantos outros.

O que eles têm em comum? Todos se caracterizam pelo autodidatismo, pelo esforço próprio de aprender, não o que ignoram, mas algo que julgam poder saber mais, como se precisassem “relembrar”, e é preciso reconhecer que nós podemos saber o que ainda não aprendemos. O autodidata não se furta ao estudo convencional, acadêmico, ele o vê como um polidor de arestas à sua imaginação, que aflora da solidão como um atrevimento para traçar novos rumos à humanidade, e a este atrevimento é o que chamamos “talento”. Aqueles que o utilizam como instrumento para edificar o bem, o belo e o útil estão destinados ao mérito, no entanto por ser o talento um valor preso por cordão umbilical à ancestralidade, assim, mais mérito cabe àqueles que na ausência da genialidade, transformam o conhecimento adquirido em utilidade à sua geração, e que no futuro formarão os gênios que não foram.