FREDERICO ROCHAFERREIRA
www.sitefilosofico.com
Membro da Oxford Philosophical Society







O fenômeno do saber, se desenvolve na sociedade brasileira, como uma busca ávida por nulidades.







  A BUSCA POR NULIDADES


Por Frederico Rochaferreira



U

ma das características que apresenta a natureza humana é o desejo de saber, de aprender, é a busca pelo conhecimento. Todos nós uns mais outros menos, desde a mais tenra idade, sentimos a necessidade de saber, quer impulsionado pela razão, quer pelo instinto. No entanto o fenômeno do saber, se desenvolve na sociedade brasileira, como uma busca ávida por nulidades, consequência direta do restrito acesso ao conhecimento a que foi submetida no curso de sua história. Assim a busca por conhecimento que deveria girar em torno dos diversos campos da ciência, se dissemina pela busca à informação sem propósito. 

O advento da internet nas últimas décadas democratizou enfim o acesso ao saber, hoje qualquer pessoa pode de sua casa, acessar cursos, excelentes artigos, livros, filmes, documentários e museus, enfim, quase tudo o que possa imaginar para se tornar uma pessoa mais culta, formar um espírito crítico com que possa analisar o que acontece à sua volta e emitir uma opinião abalizada, adquirir compreensão de fatos e acontecimentos os quais nunca teve a oportunidade e pôr a exame muitas das verdades que aprendeu a acreditar. A internet é um portal a tudo isso, todavia o que vemos é um reviver do fenômeno “escravo livre”, que ao ganhar a liberdade depois de toda uma vida preso às correntes físicas e da ignorância, não sabia o que fazer com ela.

Assim parece agir nossa sociedade, que depois de toda uma existência presa às amarras do obscurantismo, tendo agora a liberdade de ir; em busca de um mundo novo de saber e de cultura, não sabe como fazer, não, é pior; não tem interesse em fazer, por sua natureza rude e vazia, não se sente atraída senão pelas nulidades com as quais se identifica. Esse comportamento significa um corpo social doente, onde, se é possível dar aos bem jovens remédio e cura, aos menos jovens já não há mais cura, mesmo que a desejem.












Simone de Beauvoir

"Quando ainda era criança, os livros me convenceram de que a cultura era o mais alto dos valores"