FREDERICO ROCHAFERREIRA
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Membro da Oxford Philosophical Society



Die Befreiung des Hl. Petrus von José de Ribera, 1639



SEGREDOS DO CRISTIANISMO

Por Frederico Rochaferreira


"A história da religião cristã, guarda muitos segredos!"

D

os escritos primitivos do Cristianismo, um dos fragmentos que sobreviveram foi parte de uma carta de Simão (Pedro) a Jacob (Tiago) bispo da igreja primitiva, como gosta de chamar os estudiosos da religião, ou simplesmente um dos coordenadores da seita messiânica. Era uma espécie de prefácio de uma obra em 10 volumes que narrava as viagens, doutrinações e estadias de Simão pela Judea, Síria, Fenícia e Roma.

Este romance religioso estava dividido em três partes: As "Prédicas" versavam sobre o apostolado de Pedro na Judea; os "Períodos" sobre suas viagens na Síria e na Fenícia e suas contendas com Simão (Mago); e os "Atos" relatavam sua estadia em Roma. Coube aos Essênios e posteriormente aos Ebionitas e Elkasaitas a autoria dessa literatura. No fragmento que nos resta, Simão aconselha a Jacob que não relate o teor de suas Prédicas a nenhum pagão e a nenhum judeu, sem prova prévia: 

"Não é como profeta que sei isso; mas, porque vejo o início do mal. Alguns de origem pagã repeliram com efeito a minha prédica conforme a Lei,  e se entregaram ao ensino contrário do homem inimigo. Ainda em meus dias ousaram ensaiar com várias interpretações, a deturpação das minhas palavras no sentido da destruição da Lei. Ao ouvi-los, parecia que essa fôra a minha intenção, que eu jamais teria a coragem de tornar patente, pois seria blasfemar da Lei proclamada por Moisés. Mas, há indivíduos que se julgam autorizados, não sei como, a expor o meu pensamento e a interpretar o meu discurso, mais pertinazmente que eu mesmo e esse discurso vão apresentando aos seus catecúmenos como se fosse a minha opinião sobre certas coisas, nas quais eu nunca pensei. Se em minha vida se produzem tantas mentiras, o que não será depois de minha morte?” Ver Ernest Renan. A Igreja Cristã -  História das Origens do Cristianismo. Liv. Chandron, Lello & Irmão, 1925, L.VI, p.205.

Ao deixar os portões de Jerusalém, o messianismo judeu já não obedece tão somente aos seus piedosos idealizadores, há judeus e pagãos com interesse próprio na nova seita que surge. Àqueles garimpeiros da história, insaciáveis na busca por conhecimento, por verdades e não verdades sobre as quais se construiu a civilização ocidental, eis um belo veio de onde é possível avançar e extrair preciosas pepitas.