FREDERICO ROCHAFERREIRA
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Membro da Oxford Philosophical Society



Antiga sinagoga de Kfar Bar"am na Galiléia



A terceira corrente judaica

Por Frederico Rochaferreira



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uando o reino judeu caiu no ano 73 dC, historicamente, duas correntes do judaísmo ganharam o mundo: O judaísmo tradicional a partir da escola fundada por Yohanan ben Zakkai,  da  “Casa” de Hillel”, ainda sob os olhares de Vespasiano e o judaísmo messiânico, que se transformaria no cristianismo. Contudo, havia uma outra corrente judaica, que mesmo zelosamente perseguida, a história com maestria, sempre procurou ocultar, fazendo-a esquecida e ignorada do grande público e poucos se deram e se dão conta que; tradições como; a Alquimia, o Ciclo do Graal, Cátaros e outras, são partes dessa corrente.

Recentemente; trabalhos arqueológicos estão trazendo à luz, evidências concretas dessa terceira via do judaísmo, como a descoberta de um afresco de Sansão numa sinagoga do século V, levando nos ombros o portão de Gaza e um suntuoso elefante, paramentado, com escudos, colar e arreios. Sansão é considerado um juiz e herói bíblico, uma espécie de precursor do messias, contudo a literatura rabínica nunca lhe foi favorável, por desaprovar seu comportamento sexual com mulheres não judias.

O afresco de Sansão na sinagoga sugere assim tradições fora do círculo rabínico tradicional (293), da mesma forma que o elefante sugere a tradição Hasmoneana (294), significando a primeira representação de uma história apócrifa dentro de uma sinagoga. Outro mosaico descoberto e que foge ao círculo tradicional judaico, retrata três homens com mantos ornados com “gammas”, aqui representado pela letra grega “eta”, (H) que simboliza a harmonização de quatro “gammas” ou dois Taus, que a tradição cristã indica como sendo o símbolo da ressurreição (295). A descoberta desses mosaicos, nos diz que houve uma corrente judaica distinta daquela que conhecemos pela vasta literatura e isso lembra a cisão tão bem documentada por Flavio Josefo na “Guerra dos Judeus” entre a classe dirigente da Judeia pró Roma e os seguidores da filosofia de Judah e dos essênios. Essa cisão também é possível vislumbrar no entendimento contrário de Rabi Akiva e Rabi Yochanan ben Tursa (296) sobre o messianismo de Bar Kochba, quando o primeiro o reconhece como Messias de Israel em desaprovação ao segundo e a toda a tradição rabínica posterior.

Devemos assim entender, que; além do judaísmo rabínico e do judaísmo messiânico, outra corrente judaica sobreviveu à queda do reino judeu e à sombra de ambos.