Conhece-te a ti mesmo

FREDERICO ROCHAFERREIRA

www.sitefilosofico.com

Membro da Oxford Philosophical Society

O Templo de Apolo

No vistoso pátio do templo de Apolo podia-se ler: "Conhece-te a ti mesmo", contudo a sábia máxima sempre pairou acima do entendimento das multidões que buscavam o conselho dos Deuses.

CONHECE-TE A TI MESMO

Por Frederico Rochaferreira

exame da natureza humana e da natureza das coisas sempre foi objeto de investigação desde os tempos mais remotos. O sofista Sócrates já dizia; "a vida não examinada não vale a pena ser vivida", e para muitos isto é fato. Porém a ânsia pela busca de saber e conhecimento tende a afastar o investigador de si mesmo, e isso não é bom, pois em se afastando de investigar a sua natureza em prol de outras, estará sempre descobrindo e construindo um vazio que se basta em si mesmo.

Uma sentença a essa questão foi posta àqueles mais simples de espírito, que procuravam por meio da superstição transpor o hiato da ignorância, falo dos fiéis que acorriam ao Templo de Apolo para consultar o Oráculo de Delfos. No vistoso pátio do templo podia-se ler: "Conhece-te a ti mesmo", contudo a sábia máxima sempre pairou acima do entendimento das multidões que buscavam o conselho dos Deuses.

Refletir sobre essa máxima, é examinar atentamente as próprias crenças e valores e também as crenças e os valores dos demais, mas também as relações pessoais, posto que somos constituídos de muitos “eus” e os utilizamos à medida e na proporção em que nos distanciamos da natureza bruta de que somos constituídos, seja ela material, seja intelectual, por este motivo o mundo real e verdadeiro que pensamos conhecer, pode não ser nem tão real nem tão verdadeiro quanto aparenta ser.

Thomas Hobbes em sua obra, O Leviatã, cunhou o termo "leia-se", com isso quis ele dizer que mais se aprende sobre a natureza que influencia e guia as ações para o bem ou para o mal, estudando-se a si mesmo, que aos livros. Hobbes sustentava seu raciocínio no que julgava haver de semelhança entre os pensamentos e as paixões, assim, contemplando-se e não aos outros, poderia o homem perceber também os pensamentos e paixões dos seus semelhantes em situações análogas. Como podemos perceber, seja a sentença órfica, a socrática ou a hobbiana, fica explícito que a natureza que nos governa, independente de época e lugar, nunca deixa de nos alertar.

O

Basílio de Cesaréia

"Na verdade, conhecer a si mesmo parece ser a mais difícil de todas as coisas"

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